sexta-feira, 31 de julho de 2009

Um dia de praia...

A única coisa negativa que consigo associar a férias é, talvez, o excesso de tempo livre que temos para pensar na vida, o que, se por um lado pode ser uma actividade relaxante e reconstrutiva, por outro pode levar-nos para o abismo profundo da pseudo depressão! Nunca pensei dizê-lo, mas a verdade é que, na fase de exames, me sinto limpa e com a cabeça livre de todo o tipo de pensamentos que podem, em menos de dois minutos, fazer-me entrar numa crise existencial (talvez me arrependa amargamente destas palavras num futuro próximo). Pego no meu sofá insuflável da Coca-Cola (na verdade, o que dele resta, uma vez que uma das partes se rompeu no segundo dia de uso) e dirijo-me ao mar. A água está uma maravilha, talvez pelo imenso calor que se faz sentir cá fora ou pela minha vontade de mergulhar. Sempre adorei a água! A boiar, com o sol tórrido a queimar-me a pele, sinto-me voar... Uma viagem que vai muito para além de todas as sensações físicas! E penso... Penso no passado, no presente e nos dias que, mais tarde ou mais cedo, se somarão à minha ainda curta história de vida... E sorrio, ao me lembrar de todo o stress em que estive submersa ainda há menos de uma semana. Penso se deverei voltar a pôr protector solar depois de sair da água. É impressionante como as prioridades podem mudar num tão curto espaço de tempo! =) Tão depressa como veio, este pensamento abandona-me, deixando em seu lugar o espaço para as ideias parvas de uma adolescência ainda longe do fim... Mergulho de novo e sinto a frescura da água inundar-me o rosto. Haverá melhor sensação? Imersa nos meus pensamentos, acabo por olhar para um miúdo que está à beira do mar, mesmo na zona da rebentação... Não aparenta mais de cinco anos... Luta com as ondas como se estivesse a defender a própria vida e, no auge da sua raiva, profere as únicas asneiras que, na inocência da sua infância, conhece: "XIXI! COCÓ!" Volto a sorrir... É impressionante a fugacidade do tempo. Aliás, o TEMPO é, em si, algo de formidável: pode ser curto e insuficiente, longo e penoso, irritante e cansativo, consolador e apaziguador. No fundo, todos nós somos tempo, estratos de horas, dias e anos que sedimentam, um após outro, confundindo-se com o avançar da vida e formando uma rocha compacta. Quando dou por mim, estou de novo absorta nos meus pensamentos. Como a minha vida mudou no último ano... A entrada para a Faculdade apareceu na minha vida como um misto de novidade e receio! As expectativas eram muitas, a nostalgia dos bons tempos vividos até então era ainda maior! Tudo explodia na minha cabeça como um sem número de morteiros lançados no final do arraial de uma festa de Verão. Tive medo! Medo da mudança e da novidade; medo de não conseguir fazer amigos e não conseguir acompanhar o ritmo alucinante de estudo que me seria exigido! Hoje, passado um ano, consigo fazer uma retrospectiva clara de tudo o que me aconteceu. O distanciamento de tudo aquilo a que estamos habituados faz-nos deixar de desvalorizar as pequenas coisas. Hoje, dou por mim a reparar em pormenores que há muito me passavam despercebidos... Ganhei em todos os sentidos, porque conheci muitas coisas novas e aprendi a dar mais valor às antigas... Decido ir até à toalha e apanhar um pouco de sol... Durante os últimos tempos, sonhei inúmeras vezes com este momento... Distraída, ligo o ipod e fecho os olhos, ouvindo músicas cheias de história que me fazem lembrar os momentos mais hilariantes, mas também os mais difíceis da minha vida. É espantoso o poder que a música tem no meu estado de espírito. Danço interiormente, desde o tango ao kizomba, da salsa ao ballet clássico, do contemporâneo ao jazz... Por fim, desligo o ipod e pego no meu livro, um romance que comprei na FNAC no início das férias. Nunca percebi a razão por que as histórias de vida dos outros podem acalmar a desintegração atómica em que está a nossa... Mas o efeito é extraordinário! Quando o sol começa a fazer a minha pele suplicar clemência, aprecebemo-nos (eu e os meus pais) de que é hora de abandonar a praia... Com o sol a pôr-se atrás de nós, avançamos, afastando-nos do mar e da areia que teima em permanecer agarrada aos pés! Foi um dia bom...